( Ao som de The XX)
Parece que há várias vidas venho tentando decifrar o que é a minha própria. A ponto de estar sem ideia para descrever o grande martelar que se instaura em mim... Que sou eu.
Em meio a todos aqueles labirintos que me engoliam diariamente sugando minha mente, roubando minha liberdade... Hoje pude ter o privilégio de me encontrar comigo... Uma descoberta, uma vez que, me tinha perdido no meio de querer ser/impressionar a tantos... todos. Peguei-me de surpresa.
E foi ali, ao longo das colinas verdes, percebi um dia nublado... Do alto, tenho visto o reflexo da minha alma. Era incrível como aquele crepúsculo parecia ter sido pintado com todas as cores sombrias dentro de mim... e como estavam coloridas naquele final de tarde.
Paradoxo! Era incrível me ver dali. O vento, a floresta, o concreto que não estava mais lá... e aquele céu...Eu era incrível.
Vi todos os meus choros, desencantos e desencontros. Juntos, separados, términos e para sempres... Estava vendo minha vida ao som de The XX.
O que eu era? A composição de todas as brincadeiras da infância... Todos os choros da adolescência... Sonhos latentes em meus olhos, que não disfarçavam o encanto em ver um novo mundo... Risos... Amigos... Morte... Vida... Paralelos... Dor...
E por que eu me encantava pelo que não podia ter?! Eu mais do que ninguém sabia que era suicídio, tentar fazer aquilo tantas vezes, e talvez, bem provavelmente eu gostasse de me sentir daquele jeito... Infinita. Procurando algo que não poderia ser meu. Era completamente admirável então ser observadora.
Profundidade era o termo. Ao longo dos anos, questiono o motivo de ser assim... profunda, a ponto de me perder, mesmo tentando me encontrar. E, se mais alguém era capaz de sentir o que pulsava dessa minha alma... Seria alguém capaz de sentir? De se encantar?
E como era encantador. As palavras que eram meu mais belo dom. Meus tantos mundos paralelos que gritavam para ocuparem um lugar nessa inexorável realidade. Sonhos flutuantes. Mil pensamentos... Essência.
O mundo acabava e se desfazia a cada novo tom... batida... do meu ser.
O que era mesmo então que eu estava procurando ali em cima? Simplesmente alguém para admirar a mesma paisagem que eu. Era loucura, inacreditável, improvável, impossível. Muito peculiar para meros mortais verem, não conseguiriam enxergar.
O que tenho visto em mim, causaria medo... é fascinante. Talvez por isso eu tenha morrido diariamente, tantas vezes... do meu nascimento até agora. Será tão impossível assim te achar então? Na busca por mim, descubro cada vez mais que é dos seus olhos que preciso saber a cor... ou se realmente existem.
Apenas exista e suba esta colina... Ela é pintada com nosso futuro caso eterno.

