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terça-feira, 27 de setembro de 2016

[Da série] Vou te contar a verdade sobre...

O dia em que conheci um britânico 


"Sim, eles são frios - ele era- mas extremamente educado".

Nunca pensei muito sobre como fossem os britânicos, não como todo mundo pensava, daquele modo estereotipado: altos, loiros, olhos azuis, elegantes ( talvez  elegante sim), frios... etc. Mas nunca os imaginaria como de fato um deles era. E nem que teria a desprezível infelicidade de conhecer um.

Não foi como a maioria diria ou como eu realmente quisesse, ele não estava em um Pub, nem me ajudou com as malas ou disse "Sorry" ( não dessa vez) por alguma inconveniência, nem ao menos eu estava na Inglaterra. Foi algo completamente imprevisivelmente previsível.

Era Domingo de sol, as nuvens?  Nenhuma no céu, calor exorbitante com pássaros enfeitando toda aquela aquarela real, era um dia perfeito para ficar mais um dia em casa. E fiquei.
O calor demais, resolvi pegar meu Laptop e entrar mais uma vez naquele site achado no Yahoo para se aprender idiomas, com sorte, talvez alguém interessante poderia fazer uma boa conversa, o que aquela altura era um desejo quase falível.

Não, a verdade é que logo de cara  não havia aquela mensagem que mudaria o rumo das coisas, ou que logo quando abri a página o vi e imediatamente escutei sinos baterem, a realidade é um pouco mais contemporânea, um tanto quanto fria, real demais.
 Eu estava ali, rejeitando alguns selecionados automaticamente, uma sequencia de quantos...mais de dez.  "Não. Não. Também não" Estava uma chatice, até mesmo as conversas que mantinha estavam todas ressequidas e resumidas em superficialidade.
Pronta para mais um click, olhei a foto seguinte, endireitei-me e, voltei a fitá-la novamente, isso por alguns longos segundos, estava vendo algo curioso, um semblante, familiar a algum sentido que agora não fazia nenhum sentido; o que eu tinha ali eram duas fotos e um sorriso, aquele sorriso que não era comum por ali, era diferente, era aquilo ou não era totalmente, decidi automaticamente, saberia o que ele era.

Estava naquele perfil de para-quedas? De maneira alguma. Olhei mais uma vez sua foto, mas daquela vez já estava prestes a decifrar parte do que ele era. Desci ao longo das suas descrições  de si mesmo. Ri. Sorri. E pensei " nada casual, não é?". Era o tipo de resposta que você não espera, mas quer que alguém as faça. Para a pergunta: " O que você não pode viver sem?" ele havia respondido entre tantas uma " Oxigênio". E ao final de todas, quando espero mais alguma "brincadeira", eis que vejo o ponto que desde do início o separou de tantos; para a pergunta " um pedido para uma nova pessoa" ele havia dito " Nada  de mentiras! Só peço que seja você mesma". Não era a coisa mais inusitada que eu já tinha visto, ou a coisa mais fofa etc. Mas a mistura dele por inteiro, só ali, naquele pedaço do que era, foi o suficiente pra olhar mais uma vez para aquele sorriso, e saber que aquele rosto, seria capaz de quebrar o meu.

O detector de visualizações não me deixava mentir, ele logo mais mandaria a primeira mensagem e  fiquei imaginando como seria. Meus cálculos não estariam errados, ele não seria clichê em se apresentar com um simples Hello. Pensei mil e uma formas inusitadas de ser inusitado, mas não como aquela que ele o fez: pensamentos interrompidos, vi, a notificação, o que eu não esperava, não aquela maneira de se apresentar.

O magnifico de coisas magnificas é não descobrir o seu segredo e para esse, não seria diferente. O que apenas digo é que em apenas uma única e sarcástica mensagem eu vi... Sim, eles são frios - ele era- mas extremamente educado. Era aquele tipo de homem, em que você sente. Sim, simplesmente sente. Há várias e várias pessoas no mundo, uma das quais você nem se imagina manter algum relacionamento, mas há também aquelas. Sim aquelas, que você simplesmente não descreve e muito menos sabe explicar, simplesmente sente, e, quando você sente, está no caminho que eu chamo de Y. Não é o caminho certo e nem o errado, é o caminho da escolha, e você está na base desse Y, com duas opções até então duvidosas.
Quando se encontra esse tipo de pessoa, você se vê ali: em frações de segundos para fazer a escolha entre dois caminhos, e o mais incrível é que você nem ao menos sabe disso, apenas sente.

Em poucas mensagens trocadas, mais do que isso foi posto sobre a tela: era nítido meu encantamento com uma nova cultura, com um novo ser. Eu sempre idealizei a Inglaterra, e naquele momento não era ela que eu conhecia, era um Inglês.

Talvez esse post não deveria se chamar "Como eu conheci um britânico" mas sim, como eu quase me apaixonei por um...
Seu jeito educado , simples e engraçado eram como pilhas do tempo que eu tinha para escolher o meu Y. Suas crises de boa educação, eram marteladas em minha alma tão pouco acostumada em ser tratada assim. A cada cuidado, me dava conta que eu estava em um Y, e a cada boa noite, eu decidia que nunca o diria Bye. Me encantei pelo não encantado. Tomei a decisão:  Eu o faria me amar!

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